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Sustentabilidade e dados: oportunidade que se transforma em competitividade com o engajamento das empresas

15/06/2026

 A agenda da sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta reputacional. Hoje, ela é um fator de competitividade para a indústria têxtil e de confecção brasileira e depende diretamente do engajamento das empresas para se traduzir em resultados concretos.

Competir em volume e preço com a produção asiática é um desafio conhecido. Mas o Brasil possui atributos únicos capazes de gerar valor agregado ao setor: inovação em materiais e processos, menor pegada de carbono, eficiência no uso de recursos naturais e um sistema produtivo cada vez mais comprometido com a transparência e a rastreabilidade.

Nesse contexto, o engajamento das empresas é determinante. É justamente a partir dele que o Comitê de Sustentabilidade da Abit vem atuando: acompanhando tendências globais, traduzindo movimentos regulatórios e apoiando as empresas do setor em sua jornada de adaptação e preparação para uma economia de baixo carbono.

Nos últimos anos, o Brasil avançou significativamente na construção de instrumentos estruturantes para essa transição que impactarão diretamente a atuação das empresas. Hoje contamos com a Estratégia Nacional de Economia Circular, e seu acompanhamento por meio do Fórum Nacional de Economia Circular, a Taxonomia Sustentável Brasileira, a construção do mercado regulado de carbono e a política industrial Nova Indústria Brasil (NIB).

Estamos falando de uma transformação profunda do modelo econômico – que requer investimentos em inovação, logística reversa, eco-design de produto, treinamento e integração entre os diferentes elos da cadeia.

A indústria da moda aparece globalmente como um dos setores estratégicos quando o tema é economia circular. E o Brasil tem enorme potencial para se destacar nesse movimento.

Por isso, é essencial sensibilizar as empresas para a construção de uma cultura de dados. A sustentabilidade, hoje, precisa ser traduzida em dados. Nas regulamentações nacionais e internacionais, serão justamente os dados apresentados pelas empresas que demonstrarão sua eficiência e competitividade diante das novas exigências: quanto emitem, quais metas possuem, quais avanços vêm alcançando.

Essa construção também dialoga diretamente com a trajetória do Congresso Internacional Abit, realizado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Vale lembrar que o evento, neste ano, conta com a importante parceria da International Textile Manufacturers Federation

(ITMF) e da International Apparel Federation (IAF) em sua realização, sendo por isso denominado Congresso Internacional Brasil 2026.

Desde sua primeira edição, em 2016, o Congresso vem consolidando a sustentabilidade como um dos pilares centrais das discussões estratégicas da cadeia têxtil e de vestuário. A pauta ESG aparece de forma recorrente nos debates sobre novos materiais, inovação em processos produtivos, rastreabilidade, economia circular e capital humano, refletindo a transformação estrutural que atravessa toda a indústria e o varejo.

Observamos um amadurecimento significativo da agenda nos últimos anos. Um exemplo é a própria Liga de Descarbonização da Abit, iniciativa que surgiu a partir de discussões entre empresários do setor durante o Congresso de 2023 e que hoje já reúne diversas empresas engajadas na construção de uma cultura de dados, transparência e redução de emissões.

O marco de 2027 será importante nesse processo, especialmente pela crescente demanda por transparência nos relatórios corporativos e pelas exigências, em especial, do mercado europeu.

Seguimos avançando em projetos estruturantes. Um exemplo é a parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) no projeto “Panorama dos Resíduos Têxteis no Brasil e Diretrizes para sua Valorização”. A iniciativa reforça a importância de ampliar a disponibilidade de informações qualificadas para orientar decisões empresariais e a formulação de políticas públicas relacionadas à gestão de resíduos, reciclagem e logística reversa.

Mais do que mapear desafios, o projeto busca identificar caminhos viáveis para conciliar competitividade, desenvolvimento econômico e compromisso ambiental.

A colaboração com diferentes atores é permanente em nossa atuação. Entidades de cada elo da cadeia demonstram o engajamento necessário para apoiar as empresas do ecossistema têxtil na implementação de ações que as diferenciem em um mercado bastante competitivo e nem sempre leal.

Mais do que atender às exigências regulatórias, estamos construindo as bases para uma indústria mais preparada para competir em um cenário global em transformação.

A sustentabilidade é, assim, um caminho para que a indústria têxtil e de confecção brasileira amplie sua competitividade, tendo a inovação, a credibilidade e a responsabilidade socioambiental como diferenciais. Uma agenda capaz de gerar valor, promover desenvolvimento econômico e social e consolidar o papel estratégico da indústria para o país.


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