Do omnichannel ao “phygital”: Congresso acompanha virada do mercado
29/05/2026
Há uma década antecipando movimentos no setor, o evento fez de cada edição um momento de discussão sobre temas de absoluta relevância, como a guinada dos negócios para o ambiente digital
Ao longo de dez anos de trajetória, o Congresso Internacional Abit, promovido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), consolidou-se como um dos principais espaços de debate estratégico da cadeia têxtil e de confecção. O evento ganhou relevância por antecipar tendências e estimular discussões que impactam toda a indústria, da produção ao consumidor final.
Com data marcada para 14 e 15 de outubro próximo, e em parceria com a International Textile Manufacturers Federation (ITMF) e a International Apparel Federation (IAF), a edição – nomeada Congresso Internacional Brasil 2026 – reforça a vocação global e propositiva do encontro.
Transformação digital no centro das discussões
Desde o início, o Congresso acompanha a transformação da indústria e do varejo de moda impulsionada pela tecnologia e pela integração entre os canais físicos e digitais.
Antes mesmo da pandemia, temas como omnichannel, experiência do consumidor e comunicação já eram debatidos pelos especialistas convidados.
A comunicação omnichannel, por exemplo, mereceu painel exclusivo durante o Congresso Internacional Abit 2019, realizado em Belo Horizonte. Gabriela Platinetty, sócia da McKinsey, destacou que “empresas estão gerando ecossistemas de parcerias para aumentar a presença na vida do cliente”.
Marcos Carvalho, sócio-fundador e CEO da AM4, ressaltou o “caráter social” do modelo omnichannel. Já Mario Paravisi, diretor executivo da Marisol, observou a necessidade de adaptar o tom de voz aos diferentes canais, físicos e digitais.
Com a pandemia da Covid-19, a digitalização acelerou-se e consolidou o conceito de “phygital”, unindo definitivamente os ambientes físico e virtual. O Congresso acompanhou essa virada do mercado e tornou-se um espaço permanente para reflexões sobre e-commerce, marketplaces, aplicativos de vendas e os impactos das novas dinâmicas de consumo na indústria da moda.
A edição de 2020, realizada em ambiente 100% digital devido à crise sanitária, foi emblemática nesse processo. “On-line/Off-line: o fim das fronteiras no consumo e nas vendas” foi o painel que reuniu Andrea Tavares, da DeMillus, Carlos Ferreirinha, da MCF Consultoria, e Sílvia Machado, do Magazine Luiza. Em comum, os participantes defenderam que a jornada do consumidor passou a integrar, sem separações, o físico e o digital.
No encerramento daquele ano, Fábio Coelho, presidente do Google Brasil e VP do Google Inc., afirmou que o consumidor brasileiro “perdeu o receio de comprar pela Internet”, acelerando a multicanalidade.
A edição de 2021, também remota, abordou o avanço dos investimentos em comunicação on-line e relacionamento digital. Já em 2023, o Congresso destacou o papel da tecnologia na integração das redes de produção e distribuição, com exemplos da Amazon, do Grupo SOMA e da Vicunha, por meio do hub de inovação V.Laundry.
E-commerce em alta confirma mudanças debatidas no Congresso
Os dados do IEMI – Inteligência de Mercado ajudam a dimensionar a transformação do varejo. Segundo o consultor e diretor do instituto, Marcelo Prado, o e-commerce de vestuário representava, em 2019, 2,7% do volume de peças comercializadas e 2,2% do faturamento do varejo total no Brasil.
Em 2020, a participação do canal on-line avançou para 5,7% em volume e 4,7% em faturamento, registrando crescimento de 79,6% e 81,8%, respectivamente. “Entre 2021 e 2025, o e-commerce manteve trajetória de crescimento consistente, acumulando alta de 54,2% em volume e 155,8% em valores nominais”, afirma Marcelo Prado. Em 2025, o canal alcançou 10% do faturamento do varejo de vestuário brasileiro.