14 E 15 DE OUTUBRO | FORTALEZA

Consumidor mais contextual desafia marcas a personalizar sem perder identidade

09/10/2026

No Painel 6 do Congresso Internacional Brasil 2026, especialistas discutem mudanças nos padrões de consumo, novas tecnologias e os caminhos para compreender um mercado cada vez mais complexo 

Realizado pela parceria entre a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção(Abit), a InternationalTextileManufacturers Federation(ITMF) e a InternationalApparel Federation(IAF), o Congresso Internacional Brasil 2026 reúne especialistas e lideranças para discutir as transformações que vêm redesenhando a indústria têxtil e de confecção.  

O evento, que será realizado nos dias 14 e 15 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará, dará enfoque especial ao consumidor em seu Painel 6 – Novas expectativas, dados e mudanças de comportamento em um mercado imprevisível. O debate parte de um dos principais desafios do setor: compreender um consumidor que muda de comportamento de acordo com o contexto, ao mesmo tempo em que se ampliam as possibilidades oferecidas pela tecnologia. 

Participam do debate Mariana Santiloni, Head of Trends & ConsumerBehavior da WGSN; Thomas Gries, Director do Institut fürTextiltechnik (ITA) da RWTH Aachen University; Fábio Davidovici, CFO & COO da Aramis; e Cacau Moraes, IA Product Manager da Insider Store. Entre os assuntos que estarão em pauta estão a mudança de valores e padrões de consumo, omnichannel, social commerce, inteligência artificial, fragmentação do consumidor e o uso de AI Agentic na indústria.  

Mais contexto, menos fragmentação 

Fábio Davidovici, da Aramis, observa que o consumidor contemporâneo “é menos fragmentado e mais contextual”. As prioridades mudam conforme a situação, fazendo com que “preço, conveniência, qualidade ou exclusividade ganhem pesos diferentes em momentos distintos”. Nesse cenário, dados e tecnologia são relevantes quando transformados em decisões que aprimoram produto, sortimento, experiência, canais e relacionamento. Na Aramis, essa visão orienta o conceito de Fashion Tech, com a integração entre lojas físicas e canais digitais. “A tecnologia deve estar a serviço de uma jornada mais fluida, conveniente e personalizada, conectando os diferentes pontos de contato com o consumidor”. Para Davidovici, “personalizar não significa criar uma marca diferente para cada perfil”, mas compreender contextos sem perder consistência. “Marcas fortes são as que evoluem no relacionamento com os clientes, mantendo claros os atributos que as tornam reconhecíveis e relevantes ao longo do tempo”.  

IA como infraestrutura de inteligência 

Para Cacau Moraes, da Insider Store, a inteligência artificial pode mudar a lógica de uma indústria que, tradicionalmente, toma decisões olhando para o histórico. Ao conectar dados, comportamento, operação e produto em tempo próximo do real, a tecnologia amplia a agilidade e a precisão das respostas ao mercado. 

“Os AI Agents deixam de ser ferramentas pontuais e passam a atuar como camadas inteligentes dentro da operação, apoiando decisões, executando tarefas repetitivas e acelerando processos que antes dependiam de muitas etapas manuais”, afirma. Na moda, essa transformação pode alcançar áreas como planejamento de demanda, estoque, atendimento, personalização, desenvolvimento de produto e eficiência operacional.  

Da fibra ao sistema 

Para Thomas Gries, doInstitut fürTextiltechnik (ITA) da RWTH Aachen University, as novas expectativas do consumidor estão mudando quantoà intensidade quanto à própria direção da pesquisa. Sustentabilidade, transparência e desempenho passaram a integrar um mesmo critério de compra, levando a inovação da fibra para o sistema. 

“O valor de uma inovação têxtil é determinado agora pelo seu comportamento ao longo de todo o ciclo, e não apenas no ponto de venda”, afirma reforçando a ideia de circularidade. Nesse cenário, rastreabilidade e dados mensuráveis ganham importância, com soluções como passaportes digitais de produtos e identificação em nível de fibra. “A transparência tornou-se um requisito técnico, e não apenas de comunicação.”  

Ler mudanças da sociedade 

Para Mariana Santiloni, da WGSN Latam, antecipar tendências de consumo exige observar transformações na sociedade, na tecnologia, no meio ambiente, na política, na indústria e na criatividade. Durante edição do Ecommerce Brasil dedicada ao mercado de luxo, ela explicou como a pesquisa de tendências cruza sinais globais com dados quantitativos, resultando em informações qualitativas. “Ao olhar para os ‘macropropulsores’, chegamos ao que realmente vai mudar no comportamento da sociedade e como essas mudanças gerarão impacto na tendência de consumo”, revela. A especialista explica que a metodologia combina análises qualitativas com informações de redes sociais e bases de empresas como Nielsen, Mintel e Euromonitor. O objetivo é detectar e captar o que está mudando, levando essas transformações para a indústria, no caso, antes que as tendênciasse materializem emescolhas de consumo. 

 







WhatsApp