14 E 15 DE OUTUBRO | FORTALEZA

Ceará foca no protagonismo de sua indústria da moda

09/09/2026

Para Luís Gonzaga Junior, presidente do SindConfecções do Ceará, Congresso Internacional Brasil 2026 amplia conexões, oportunidades de negócios e visibilidade para a cadeia produtiva cearense 

 

Nos dias 14 e 15 de outubro, Fortaleza estará em destaque no mapa global das discussões referentes ao competitivo e desafiador setor do têxtil e da confecção. Como sede do Congresso Internacional Brasil 2026, a capital cearense reunirá lideranças nacionais e internacionais sob o tema Futuro em Movimento: Transformação, Inovação e Novas Realidades. 

O evento, que tem a organização da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e, nessa edição, está em parceria com a International Textile Manufacturers Federation (ITMF) e a International Apparel Federation (IAF), mereceu as considerações do presidente do SindConfecções do Ceará, Luís Gonzaga Junior.  

“Quando as duas maiores entidades da moda mundial – a ITMF, dos fabricantes têxteis, e a IAF, do vestuário –optam por uma cidade para se encontrar, juntamente com a Abit, elas não escolhem pela praia. Escolhem porque ali existe indústria”, afirma. Para o dirigente, o evento é uma vitrine para o Ceará, ao mesmo tempo que permitirá aos empresários locais acompanhar de perto discussões sobre temas que mobilizam o setor em todo o mundo. 

 

Diversidade e cadeia produtiva 

O Ceará possui forte atuação nos segmentos de moda íntima, feminina, praia e fitness, além de uma produção masculina com presença nacional. Tal diversidade, segundo Gonzaga Junior, é resultado de décadas de especialização e se estende aos polos produtivos do interior. 

Na avaliação do executivo, o diferencial competitivo do Estado não deve estar na disputa por preço com a Ásia, mas em atributos como proximidade, agilidade, identidade e valor agregado. “Ter fiação, tecelagem, aviamento e confecção no mesmo estado permite repor uma coleção em dias, e não em três meses de navio”, observa. A integração da cadeia, associada a marcas próprias e design autoral, pode criar vantagens diante da produção massificada internacional. 

 

Força e desafios 

O Ceará é apontado como o quinto maior polo têxtil e de confecção do Brasil, respondendo por cerca de 7% do mercado nacional. São aproximadamente 56,6 mil empregos formais diretos, 320 estabelecimentos têxteis e 3 mil confecções, com polos produtivos em municípios como Maracanaú, Frecheirinha, Sobral e Jaguaruana. 

Entre os principais desafios, Gonzaga Junior destaca a escassez de mão de obra e o avanço das importações. “Há fábrica no Ceará com máquina parada e pedido em carteira por não encontrar quem costure”, afirma. Para ele, o enfrentamento dos gargalos exige maior articulação do setor e medidas que assegurem condições mais equilibradas de competição para a produção nacional. 

 

Qualificação e inovação 

A capacitação é um dos pilares do SindConfecções, que reúne mais de 350 empresários. A entidade promove treinamentos em gestão, vendas, marketing e finanças, além de aperfeiçoamento técnico, produtividade e missões empresariais, com apoio do Sistema FIEC, por meio de Senai, IEL e Sesi. 

O dirigente também cita o Ceará Moda Contemporânea (CMC), tradicional concurso de moda do Estado, e o Moda Avante, voltado ao empreendedorismo e à cadeia do jeans no interior. Entre as competências prioritárias para o futuro, aponta gestão baseada em dados, produtividade e automação, marca e design e presença digital. “Sem formar costureira e líder de produção, nenhuma agenda de competitividade se sustenta”, enfatiza. 

 

Exportar valor 

Apesar da forte presença no mercado nacional, a exportação de produtos acabados ainda é pequena diante do potencial cearense. Moda praia, lingerie de maior valor agregado, fitness e têxteis para o lar estão entre os segmentos com melhores possibilidades de inserção internacional. 

A localização de Fortaleza e a infraestrutura do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) também podem favorecer esse movimento. Para Gonzaga Junior, o Congresso contribuirá ao aproximar empresas e compradores internacionais. “Antes de exportar volume, precisamos exportar valor”, afirma, defendendo investimentos em certificação, sustentabilidade, cumprimento de prazos e construção de marcas. 

 

União como estratégia 

À frente do SindConfecções desde novembro de 2025, Gonzaga Junior aponta a união do setor como uma das prioridades da gestão. Entre as pautas estão a regulamentação da reforma tributária, questões trabalhistas e a busca por maior isonomia diante dos produtos importados. 

Outra iniciativa é a primeira rodada de negócios do sindicato, prevista para outubro, com o objetivo de aproximar fornecedores cearenses de compradores de outras regiões e inserir o Estado no calendário nacional de compras. “Não é o sindicato que cresce sozinho; ele só é forte se a indústria que ele representa estiver crescendo junto”, conclui. 







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