14 E 15 DE OUTUBRO | FORTALEZA

Algodão brasileiro: da liderança em volume à conquista de valor

30/09/2026

O destacado desempenhodo setor algodoeiro nacional, que alçou o Brasil ao primeiro posto de exportador mundial da fibra, vem ancorado em investimentos intensivos em pesquisa, tecnologia, inovaçãoe sustentabilidade. O tema ganha voz no painel dedicado às fibras têxteis, durante o Congresso, com relevante participação da Abrapa. 

 

O setor algodoeiro no Brasil assistiu a uma virada histórica. Há poucas décadas, o país dependia da importação de algodão. Hoje, ocupa o posto de maior exportador mundial da fibra. A marca de 3,37 milhões de toneladas exportadas no ano comercial 2025/26 traduz, em números, a transformação construída ao longo de décadas e que reposicionou o país no mapa global da cotonicultura. 

O próximo desafio, porém, é ainda mais estratégico: transformar liderança em valor e fazer com que o algodão brasileiro seja cada vez mais reconhecido pela indústria têxtil mundial. 

É nesse contexto que a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participa do Congresso Internacional Brasil 2026, nos dias 14 e 15 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará. Realizado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), em parceria com a International Textile Manufacturers Federation (ITMF) e a International Apparel Federation (IAF), o evento terá como tema central Futuro em movimento: transformação, inovação, novas realidades. A Abrapa, patrocinadora do evento nesta edição, integra o Painel 2 – O Futuro das Fibras, do qual participa o produtor de algodão, presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa) e ex-presidente da Abrapa, Haroldo Cunha. 

 

Mais do que produzir, entregar atributos 

O desempenho brasileiro é resultado de uma combinação de fatores que envolve pesquisa, tecnologia, genética, mecanização, profissionalização, qualidade e sustentabilidade. A evolução da cadeia permitiu ampliar escala e produtividade. O crescimento futuro, porém, não deve ser medido apenas pela expansão da área plantada. 

“O futuro da cotonicultura brasileira não está apenas na expansão de área. Passa, principalmente, por ganhos de produtividade, eficiência, qualidade e redução de custos”, afirma o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli. 

A equação inclui ainda um componente decisivo: aumentar a percepção de valor da fibra brasileira entre os compradores internacionais. 

 

O mundo como mercado 

A dimensão da indústria têxtil chinesa faz da China um parceiro estratégico para o algodão nacional. A estratégia brasileira, entretanto, contempla também a diversificação dos destinos. 

Por meio do Cotton Brazil, a Abrapa busca aprofundar relações com mercados já consolidados e ampliar a presença em novos polos consumidores. “Mais do que aumentar volumes, queremos estar próximos dos principais polos da indústria têxtil mundial, apresentando os diferenciais do algodão brasileiro e fortalecendo a confiança dos compradores”, afirma Piccoli. 

 

Sustentabilidade como ativo comercial 

Se escala foi fundamental para colocar o Brasil na liderança das exportações, atributos como sustentabilidade e rastreabilidade podem ser determinantes para consolidar essa posição. Atualmente, 79% da produção brasileira possui certificação socioambiental ABR. O país também dispõe de sistemas que permitem rastrear a origem do algodão e acessar informações relacionadas à qualidade da fibra. 

Para Piccoli, o desafio agora é converter essas credenciais em valor percebido. “Em um mercado que exige informações sobre origem e modelo de produção, qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade passam a ser importantes ativos comerciais”, avalia. 

 

A história não termina na fazenda 

O algodão brasileiro percorre um longo caminho até chegar ao consumidor: passa pelo beneficiamento, fiação, tecelagem, confecção e moda. É justamente nessa trajetória que a Abrapa identifica oportunidade de estreitar relações entre os diferentes elos da cadeia e ampliar o conhecimento sobre a origem da matéria-prima. 

Iniciativas como o Sou de Algodão e o Sou ABR contribuem para essa aproximação ao conectar produtores, indústria, marcas e consumidores. “O Brasil já conquistou posição de destaque na produção e no comércio mundial. Agora, queremos avançar também na percepção de valor, aproximando o algodão brasileiro da indústria, das grandes marcas e do consumidor”, afirma Piccoli. 

 

Do debate à prática 

No Congresso Internacional Brasil 2026, Haroldo Cunha, produtor de algodão, presidente da Agopae ex-presidente da Abrapa, participa do debate sobre o futuro das fibras ao lado de representantes de diferentes segmentos da cadeia. Além dele, o time de consultoria técnica do Cotton Brazil estará presente para apoiar a indústria têxtil internacional no melhor desempenho do uso do algodão brasileiro. 

Para Cunha, o futuro das fibras naturais passa pela capacidade de combinar inovação, desempenho e uma comunicação mais ampla sobre seus atributos. Em um mercado predominantemente ocupado pelas fibras sintéticas, aumentar a participação do algodão exige desenvolvimento tecnológico e novas aplicações, inclusive por meio de combinações com outras matérias-primas. 

“O objetivo não é o de substituir as fibras sintéticas ou defender apenas produtos 100% algodão. Precisamos ampliar a participação das fibras naturais por meio de inovação e novas tecnologias, preservando atributos como conforto e bem-estar, oferecendo o desempenho que a indústria e o consumidor buscam”, afirma o presidente da Agopa. 

“Para que o algodão recupere espaço no mercado global será necessário combinar inovação, comunicação e políticas públicas, com foco no desempenho do produto,nas questões ambientais, de saúde e bem-estar”, conclui. 







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